28.8.04

Carlos Pena Filho


Soneto do Desmantelo Azul

Então, pintei de azul os meus sapatos
por não poder de azul pintar as ruas,
depois, vesti meus gestos insensatos
e colori, as minhas mãos e as tuas.

Para extinguir em nós o azul ausente
e aprisionar no azul as coisas gratas,
enfim, nós derramamos simplesmente
azul sobre os vestidos e as gravatas.

E afogados em nós, nem nos lembramos
que no excesso que havia em nosso espaço
pudesse haver de azul também cansaço.

E perdidos de azul nos contemplamos
e vimos que entre nós nascia um sul
vertiginosamente azul. Azul.

Comentários:2

Blogger Felipe said...

Oi, Márcia. Obrigado pela visita. Belo poema, de tantos matizes. Um beijo.

11:00 PM  
Blogger esther maria said...

só posso uivar. a beleza anda procando estes sons em mim: uivos e urros. tornei-me azul.

esqueci de avisar que o antigo porcas ainda está vivo, assim permanecerá, e que lá publiquei um poema seu: www.porcaeparafuso.blogspot.com.

beijos

7:56 AM  

Postar um comentário

<< Home