2.4.06

Jorge Fernandes


Meu Poema Parnasiano Sem Número



Ligo a chave propulsora dos meu nervos
Pra melhor sentir toda a emoção que me rodeia...
Que vontade de produzir sonetos...
Trancar-me nos quatorze versos
E berrar sonoridades aos quatro ventos
Pra sensibilizar românticos...
Mas o diacho do ganzá das ruas me perturba...
Jazibande de uma figa! que doidice
De vai-e-vem de overlandes, buíques e chevrolés...

— Ô do cassetete — pára este clube carnavalesco
Que estamos na quaresma! eu sou um grande poeta
De mil oitocentos e noventa e tantos...
Trago de imaginação milhares de sextilhas
E uma miríade de sonetos...
Quero cantar os prós homens... fazer a apologia
De Gutembergue — do incêndio de Roma — das aventuras
De Dom Quixote
Passam bufando motocicletas e os bondes chiando as rodas nos trilhos...

Carroças de gelo... pregões...
Eu não compro jornais nem quero saber se
Lindembergue atravessou Neiorque-Paris — eu quero
A placidez de um lago suíço — um céu de África — uma paisagem de Veneza.
Mas a grande vida brasileira esbarra a inspiração
do pobre poeta que na sua terra tem palmeira
Onde nunca cantou o sabiá... ( Ele só canta no mufumbo e nas catingas...)


Comentários:3

Anonymous Anônimo said...

sesnibilizastes a romântica.. e oh, da pena. que belo poema!

te beijo

Nefertari

11:57 PM  
Blogger Nilson Barcelli said...

Fiquei convencido que o Jorge Fernandes seria algum blogueiro que você conhecia...
Não conhecia este poeta. Gostei do poema e agora até já percebi melhor o seu. Que não lhe é inferior. E olhe que não estou a ser bondoso consigo. Digo só o que penso, pois eu não sou especialista da escrita poética e nem sequer tenho conhecimentos teóricos da matéria. Tenho lido apenas algumas coisas...
Beijo querida amiga.

4:58 AM  
Blogger Nizardo said...

mais um poema deste maravihoso poeta potiguar.

ele segurava o ombro dela
e amparados caminhavam.
ele via por ela
ela via pra ele
ele pedia
ela via
ela era mulher dele porque era feia
Ele era o homem dela porque era cego
Eles dois eram um só.

1:26 PM  

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