17.6.05

Ferreira Gullar


Dois e dois: quatro


Como dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
embora o pão seja caro
e a liberdade pequena.

Como teus olhos são claros
e a tua pele morena.
Como é azul o oceano
e a lagoa, serena.

Como um tempo de alegria
por trás do terror me acena
e a noite carrega o dia
no seu colo de açucena

—sei que dois e dois são quatro
—sei que a vida vale a pena
mesmo que o pão seja caro
e a liberdade, pequena.


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